quinta-feira, 9 de maio de 2013

OMC:  QUEM GANHOU E QUEM PERDEU? Com a oposição dos países ricos e a má vontade da mídia conservadora brasileira, mas o apoio coeso das nações em desenvolvimento, o Brasil conquistou o mais importante posto internacional de sua história: a direção da Organização Mundial do Comércio. Não foi um ponto fora da curva no novo tabuleiro internacional. A política externa independente do Itamaraty, adotada desde 2003, firmou o país como liderança representativa das economias pobres e em desenvolvimento. Com o apoio delas, o Brasil já havia vencido a eleição para dirigir a FAO, em 2012. Um sinal minimizado por uns e desdenhado por outros. Agora, tornou-se mais difícil ignorar a travessia em curso. O candidato derrotado na OMC, o mexicano Herminio Blanco, foi um dos arquitetos do Nafta. Alinhado ao pensamento neoliberal, representava os interesses que jogaram o mundo na pior crise  do capitalismo desde 1929. A vitória na FAO, com o ex-ministro José Graziano da Silva, foi a primeira renovação importante de um organismo internacional, depois da implosão da ordem neoliberal, em 2008. Graziano derrotou a candidatura espanhola igualmente apoiada, então,  pelos países ricos. O saldo das urnas revelou o peso da diplomacia independente dos anos Lula. Com Celso Amorim e Samuel Guimarães no comando, o Itamaraty  faria forte inflexão em direção ao mundo em desenvolvimento. O continente africano e a América Latina em peso garantiram o êxito brasileiro na FAO.  Foi uma vitória apertada, mas reveladora de um novo ciclo agora confirmado. O êxito na OMC, com Roberto Azevêdo, acontece  em meio aos escombros de cinco anos de desordem neoliberal.  Políticas de autopreservação dos países ricos  asfixiam nações pobres. Uma guerra cambial insana evidencia a imperiosa necessidade de uma coordenação global que não interessa aos interesses hegemônicos, empenhados em reafirmar a ocupação do terreno. Não por acaso, desta vez a vitória brasileira foi esmagadora. A  diferença da ordem de 30 votos inibiu a reação dos países ricos que, em revés anterior, em 1999, anularam na prática a posse do candidato tailandês escolhido pela maioria da organização.  Sugestivamente, o êxito na OMC representa também um trunfo interno: o dispositivo midiático conservador  torcia pela vitória de quem simbolizava, no plano internacional, a coalizão de interesses locais que hoje busca  restaurar a lógica dos anos 90 na economia, na política e na diplomacia brasileira. ( Leia a análise de Eric Nepomuceno sobre os novos  desafios à integração latino-americana; nesta pág. E também: A resistência brasileira à crise exige um novo ciclo de política econômica.
OMC:  QUEM GANHOU E QUEM PERDEU? Com a oposição dos países ricos e a má vontade da mídia conservadora brasileira, mas o apoio coeso das nações em desenvolvimento, o Brasil conquistou o mais importante posto internacional de sua história: a direção da Organização Mundial do Comércio. Não foi um ponto fora da curva no novo tabuleiro internacional. A política externa independente do Itamaraty, adotada desde 2003, firmou o país como liderança representativa das economias pobres e em desenvolvimento. Com o apoio delas, o Brasil já havia vencido a eleição para dirigir a FAO, em 2012. Um sinal minimizado por uns e desdenhado por outros. Agora, tornou-se mais difícil ignorar a travessia em curso. O candidato derrotado na OMC, o mexicano Herminio Blanco, foi um dos arquitetos do Nafta. Alinhado ao pensamento neoliberal, representava os interesses que jogaram o mundo na pior crise  do capitalismo desde 1929. A vitória na FAO, com o ex-ministro José Graziano da Silva, foi a primeira renovação importante de um organismo internacional, depois da implosão da ordem neoliberal, em 2008. Graziano derrotou a candidatura espanhola igualmente apoiada, então,  pelos países ricos. O saldo das urnas revelou o peso da diplomacia independente dos anos Lula. Com Celso Amorim e Samuel Guimarães no comando, o Itamaraty  faria forte inflexão em direção ao mundo em desenvolvimento. O continente africano e a América Latina em peso garantiram o êxito brasileiro na FAO.  Foi uma vitória apertada, mas reveladora de um novo ciclo agora confirmado. O êxito na OMC, com Roberto Azevêdo, acontece  em meio aos escombros de cinco anos de desordem neoliberal.  Políticas de autopreservação dos países ricos  asfixiam nações pobres. Uma guerra cambial insana evidencia a imperiosa necessidade de uma coordenação global que não interessa aos interesses hegemônicos, empenhados em reafirmar a ocupação do terreno. Não por acaso, desta vez a vitória brasileira foi esmagadora. A  diferença da ordem de 30 votos inibiu a reação dos países ricos que, em revés anterior, em 1999, anularam na prática a posse do candidato tailandês escolhido pela maioria da organização.  Sugestivamente, o êxito na OMC representa também um trunfo interno: o dispositivo midiático conservador  torcia pela vitória de quem simbolizava, no plano internacional, a coalizão de interesses locais que hoje busca  restaurar a lógica dos anos 90 na economia, na política e na diplomacia brasileira. ( Leia a análise de Eric Nepomuceno sobre os novos  desafios à integração latino-americana; nesta pág. E também: A resistência brasileira à crise exige um novo ciclo de política econômica.
OMC:  QUEM GANHOU E QUEM PERDEU? Com a oposição dos países ricos e a má vontade da mídia conservadora brasileira, mas o apoio coeso das nações em desenvolvimento, o Brasil conquistou o mais importante posto internacional de sua história: a direção da Organização Mundial do Comércio. Não foi um ponto fora da curva no novo tabuleiro internacional. A política externa independente do Itamaraty, adotada desde 2003, firmou o país como liderança representativa das economias pobres e em desenvolvimento. Com o apoio delas, o Brasil já havia vencido a eleição para dirigir a FAO, em 2012. Um sinal minimizado por uns e desdenhado por outros. Agora, tornou-se mais difícil ignorar a travessia em curso. O candidato derrotado na OMC, o mexicano Herminio Blanco, foi um dos arquitetos do Nafta. Alinhado ao pensamento neoliberal, representava os interesses que jogaram o mundo na pior crise  do capitalismo desde 1929. A vitória na FAO, com o ex-ministro José Graziano da Silva, foi a primeira renovação importante de um organismo internacional, depois da implosão da ordem neoliberal, em 2008. Graziano derrotou a candidatura espanhola igualmente apoiada, então,  pelos países ricos. O saldo das urnas revelou o peso da diplomacia independente dos anos Lula. Com Celso Amorim e Samuel Guimarães no comando, o Itamaraty  faria forte inflexão em direção ao mundo em desenvolvimento. O continente africano e a América Latina em peso garantiram o êxito brasileiro na FAO.  Foi uma vitória apertada, mas reveladora de um novo ciclo agora confirmado. O êxito na OMC, com Roberto Azevêdo, acontece  em meio aos escombros de cinco anos de desordem neoliberal.  Políticas de autopreservação dos países ricos  asfixiam nações pobres. Uma guerra cambial insana evidencia a imperiosa necessidade de uma coordenação global que não interessa aos interesses hegemônicos, empenhados em reafirmar a ocupação do terreno. Não por acaso, desta vez a vitória brasileira foi esmagadora. A  diferença da ordem de 30 votos inibiu a reação dos países ricos que, em revés anterior, em 1999, anularam na prática a posse do candidato tailandês escolhido pela maioria da organização.  Sugestivamente, o êxito na OMC representa também um trunfo interno: o dispositivo midiático conservador  torcia pela vitória de quem simbolizava, no plano internacional, a coalizão de interesses locais que hoje busca  restaurar a lógica dos anos 90 na economia, na política e na diplomacia brasileira. ( Leia a análise de Eric Nepomuceno sobre os novos  desafios à integração latino-americana; nesta pág. E também: A resistência brasileira à crise exige um novo ciclo de política econômica.

segunda-feira, 22 de abril de 2013



  1. MEMÓRIA
    • Ganhando ou perdendo permaneço militando no PMDB
    • NOVA GERAÇÃO deve começar a assumir o Partido.
    • Resgatar antigos filiados

      MILITÂNCIA PARTIDÁRIAa problemática concreta da militância envolve algumas considerações fundamentais: Como dizia Brecht, é importante ensinar “coisas velhas” como se fossem sempre novas, porque “poderiam ser esquecidas e consideradas válidas apenas para tempos já transcorridos. A MILITÂNCIA é uma das atividades mais elevadas e enriquecedoras do espírito humano, que emancipa as mentes de explorados e oprimidos, expande suas potencialidades frente a alienação nas relações sociais. Falamos da vocação pública de homens e mulheres capazes de se armar com o que existe de mais avançado na consciência social. De construir, pelo laborioso processo da organização, o instrumento mais elevado da ação por um novo poder político, e de levar a luta pela elevação do nível de consciência, organização e mobilização dos trabalhadores e do povo, através de ingente trabalho de esclarecimento, pedagogia, e politização. Enfim, servir ao povo, à Pátria, em busca da solidariedade social, por intermédio da luta política, está no horizonte de nosso tempo onde sempre esteve nos tempos modernos: absolutamente imprescindível.

A unidade básica e constitutiva da organização social é o militante.
É preciso um grande esforço para lidar de modo realista com a perspectiva militante, encontrar caminhos mais largos para desenvolvê-la.
Trata-se de abrir o Partido para fora - falar mais amplamente com a sociedade, na linguagem do tempo, - e abri-lo também para dentro – dando conteúdos e formas mais variadas e ricas à sua vida interna.
Alguns militantes já se foram, deixaram o Partido, mas guardam para com ele, na maioria das vezes, relação de respeito continuando simpatizante e sendo seu eleitor e amigo.
Devemos as vésperas de processos eletivos, mobilizar este contingentes de filiados, que não estão integrados regularmente no processo partidário?
O universo de filiados, por sua vez, é campo para permanente esforço de ativação para as batalhas que travamos e campanhas que realizamos. E é celeiro para trazer novos contingentes à esfera da atividade organizada do Partido, visando adquirir maior musculatura militante. É uma dialética única e integrada, um processo vivo e permanente.
Devemos ter sempre presente à dialética entre militantes e filiados. Numa dessas pontas, a do caráter e perfil da militância, se quer abarcar suas diversas condições e seu maior grau de variação no tempo e lugar, precisará ser definida a cada processo, mediante cadastramento regular nas Conferências. Isso nos propõe designar as normas democráticas de legitimação de sua participação nos processos deliberativos do Partido, aprimorando inclusive os mecanismos de identidade de sua condição militante e de estar em dia com suas obrigações partidárias.
A militância também tem uma dimensão substantiva, a práxis. "Atividade livre, universal, criativa e autocriativa, por meio da qual o homem cria (faz, produz) e transforma (conforma) seu mundo humano e histórico e a si mesmo" (segundo o Dicionário do Pensamento Marxista), a práxis remete aos objetivos mais nobres e libertários do projeto socialista. Atividade consciente que permitiria aos seres humanos se assenhorearem do controle de seu próprio destino, a práxis eliminaria as causas sociais das injustiças e sofrimentos e possibilitaria o pleno desenvolvimento das potencialidades humanas.
Esta compreensão foi enriquecida, nas últimas décadas, por movimentos que procuram alterar as relações de poder de gênero, raça e opção sexual.”
O Partido deve procurar ser a consciência avançada do nosso tempo, Partido da vocação política transformadora que não recusa os embates do cotidiano, mas os canaliza para um projeto político global; Partido que dá prioridade à ação política de massas, como forma principal de luta; Partido que busca apresentar-se à sociedade de forma contemporânea.
Os partidos políticos são instâncias associativas permanentes e estáveis, dotadas de ideologia e programa político próprios, destinadas à arregimentação coletiva, buscando, em último plano, conquistar o controle do poder político, seja pela ocupação de cargos ou influência nas decisões políticas.
Nas Eleições proporcionais, via de regra, salvo na ocorrência de aberrações em que o candidato atinge diretamente o quociente eleitoral, qualquer pessoa eleita no sistema proporcional depende do conjunto de candidatos.
INFIDELIDADE PARTIDÁRIA – Devemos ressaltar que a infidelidade partidária verifica-se não apenas quando o candidato eleito se desliga do partido que o elegeu, mas também pela desobediência aos princípios doutrinários e programáticos, às normas estatutárias e às diretrizes estabelecidas pelo partido como fundamentais. Por tudo isso, acredita-se que a infidelidade partidária é extremamente prejudicial ao fortalecimento da democracia, e que uma modificação do crescente número de mudanças de partidos só se realizará mediante a elaboração de normas que estabeleçam punições mais severas aos representantes infiéis, tais como a perda do mandato para o deputado ou senador que deixar o Partido sob cuja legenda se elegeu, ou que cometer grave violação da disciplina partidária.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Ciro aponta Serra como cúmplice da Privataria Tucana e será ouvido na CPI



Correio do Brasil, 6/2/2012 15:33,
Por Redação - de Brasília
Ciro Gomes é vice-presidente do PSB
O ex-ministro Ciro Ferreira Gomes, hoje vice-presidente do Partido Socialista Brasileiro (PSB), é uma das testemunhas aguardadas na Câmara dos Deputados caso seja aprovada a CPI da Privataria Tucana, originada no livro homônimo do jornalista Amaury Ribeiro. A obra narra o processo de privatização das grandes companhias brasileiras e o desvio monumental de recursos do Estado para contas particulares, em bancos de paraísos fiscais, entre elas as dos principais líderes do PSDB, como José Serra e Fernando Henrique Cardoso.
Ciro, em entrevista a um programa de TV aberta, ainda em 2009, já denunciava os fatos descritos, em detalhes, no livro-reportagem. Segundo o também ex-deputado federal com mais de 600 mil votos na penúltima eleição, a gestão de FHC e Serra drenou os recursos brasileiros de forma espetacular a ponto de faltar pouco para o país quebrar, ao longo dos oito anos do mandato tucano.
– O (jornalista) Elio Gaspari chama o processo de privatização que eles fizeram de privataria. Uma mistura de privatização com pirataria. Não é por nada particular, porque o Serra gosta de espalhar entre as penas amestradas que ele controla, que eu tenho alguma animosidade pessoal com ele. Ele é um Fernando Henrique Boy. Não tem como não ser. Ele foi ministro do governo Fernando Henrique por oito anos – afirmou Ciro, na entrevista passada.
Ciro Gomes pontuou a velocidade impressionante com que a equipe econômica da gestão FHC avançou sobre os bens nacionais, construídos ao longo de 500 anos.
– O Brasil, quando o Fernando Henrique tomou posse – e eu era ministro da Fazenda – tinha levado 500 anos para fazer uma dívida pública equivalente a 38% do Produto Interno Bruto (PIB). Essa gente, o governador Serra, ministro do Planejamento, membro da equipe econômica, trouxe essa dívida para 78% do PIB em apenas oito anos. Levou 500 anos, brasileiro, para que a dívida chegasse a 38% do PIB. E foi uma dívida feita para construir a Petrobras, a Eletrobras, a Telebras, as estradas etc etc. Essa gente dilapidou o patrimônio brasileiro. O investimento brasileiro caiu ao pior nível desde a Segunda Guerra Mundial. Destruíram as universidades brasileiras. Perdemos um terço dos mestres e doutores, que se leva 40 anos para formar, em apenas oito anos de maluquices. De prostração ideológica neolilberal, de mistificação – relata.
Para o ex-parlamentar, que não concorreu à Presidência da República nas últimas eleições num acordo com o PT, alinhavado pelo próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para que ele apoiasse a candidatura da atual presidenta, Dilma Rousseff, a volta dos tucanos ao poder significa um retrocesso histórico.
– O Brasil foi ao chão. Faltou energia. Pelo amor de Deus… Tem alguma animosidade minha? Se tiver, desmintam um número meu. Então, essa gente não pode voltar, porque agora o Lula provou para nós próprios, brasileiros, que nós temos condições de resolver o nosso desafio. E olha que o Lula pegou a coisa degringolada. Em 2003 o Brasil quase quebra, de novo. Agora, passamos pela maior crise do capitalismo moderno e o Brasil não quebrou.
Aos 52 anos, mais da metade dedicados à vida pública, o ex-deputado federal foi duas vezes deputado estadual, sendo eleito em seguida prefeito de Fortaleza e governador do Ceará. Ocupou ainda os cargos de Ministro da Fazenda e Ministro da Integração Nacional. Em 2006 e foi o deputado federal mais votado do país, proporcionalmente, com 667.830 votos.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

O Olhar de Verissimo sobre o BBB


Que me perdoem os ávidos telespectadores do Big Brother Brasil (BBB), produzido e organizado pela nossa distinta Rede Globo, mas conseguimos chegar ao fundo do poço. A nova edição do BBB é uma síntese do que há de pior na TV brasileira. Chega a ser difícil encontrar as palavras adequadas para qualificar tamanho atentado à nossa modesta inteligência.
Impossível assistir ver este programa ao lado dos filhos. Gays, lésbicas, heteros...todos na mesma casa, a casa dos “heróis”, como são chamados por Pedro Bial. Não tenho nada contra gays, acho que cada um faz da vida o que quer, mas sou contra safadeza ao vivo na TV, seja entre homossexuais ou heterossexuais. O BBB é a realidade em busca do IBOPE.
Veja como Pedro Bial tratou os participantes do BBB. Ele prometeu um “zoológico humano divertido”. Não sei se será divertido, mas parece bem variado na sua mistura de clichês e figuras típicas.
Pergunto-me, por exemplo, como um jornalista, documentarista e escritor como Pedro Bial que, faça-se justiça, cobriu a Queda do Muro de Berlim, se submete a ser apresentador de um programa desse nível. Em um e-mail que recebi há pouco tempo, Bial escreve maravilhosamente bem sobre a perda do humorista Bussunda referindo-se à pena de se morrer tão cedo. Eu gostaria de perguntar se ele não pensa que esse programa é a morte da cultura, de valores e princípios, da moral, da ética e da dignidade.
Outro dia, durante o intervalo de uma programação da Globo, um outro repórter acéfalo do BBB disse que, para ganhar o prêmio de um milhão e meio de reais, um Big Brother tem um caminho árduo pela frente, chamando-os de heróis. Caminho árduo? Heróis? São esses nossos exemplos de heróis? Caminho árduo para mim é aquele percorrido por milhões de brasileiros, profissionais da saúde, professores da rede pública (aliás, todos os professores), carteiros, lixeiros e tantos outros trabalhadores incansáveis que, diariamente, passam horas exercendo suas funções com dedicação, competência e amor e quase sempre são mal remunerados.
Heróis são milhares de brasileiros que sequer tem um prato de comida por dia e um colchão decente para dormir, e conseguem sobreviver a isso todo dia.
Heróis são crianças e adultos que lutam contra doenças complicadíssimas porque não tiveram chance de ter uma vida mais saudável e digna. Heróis são inúmeras pessoas, entidades sociais e beneficentes, ONGs, voluntários, igrejas e hospitais que se dedicam ao cuidado de carentes, doentes e necessitados (vamos lembrar de nossa eterna heroína Zilda Arns).
Heróis são aqueles que, apesar de ganharem um salário mínimo, pagam suas contas, restando apenas dezesseis reais para alimentação, como mostrado em outra reportagem apresentada meses atrás pela própria Rede Globo.
O Big Brother Brasil não é um programa cultural, nem educativo, não acrescenta informações e conhecimentos intelectuais aos telespectadores, nem aos participantes, e não há qualquer outro estímulo como, por exemplo, o incentivo ao esporte, à música, à criatividade ou ao ensino de conceitos como valor, ética, trabalho e moral. São apenas pessoas que se prestam a comer, beber, tomar sol, fofocar, dormir e agir estupidamente para que, ao final do programa, o “escolhido” receba um milhão e meio de reais. E ai vem algum psicólogo de vanguarda e me diz que o BBB ajuda a "entender o comportamento humano". Ah, tenha dó!!!
Veja o que está por de tra$$$$$$$$$ $$$$$$$ do BBB: José Neumani da Rádio Jovem Pan, fez um cálculo de que se vinte e nove milhões de pessoas ligarem a cada paredão, com o custo da ligação a trinta centavos, a Rede Globo e a Telefônica arrecadam oito milhões e setecentos mil reais. Eu vou repetir: oito milhões e setecentos mil reais a cada paredão.
Já imaginaram quanto poderia ser feito com essa quantia se fosse dedicada a programas de inclusão social, moradia, alimentação, ensino e saúde de muitos brasileiros? (Poderia ser feito mais de 520 casas populares; ou comprar mais de 5.000 computadores)
Essas palavras não são de revolta ou protesto, mas de vergonha e indignação, por ver tamanha aberração ter milhões de telespectadores. Em vez de assistir ao BBB, que tal ler um livro, um poema de Mário Quintana ou de Neruda ou qualquer outra coisa..., ir ao cinema....., estudar... , ouvir boa música..., cuidar das flores e jardins... , telefonar para um amigo... , •visitar os avós... , pescar..., brincar com as crianças... , namorar... ou simplesmente dormir. Assistir ao BBB é ajudar a Globo a ganhar rios de dinheiro e destruir o que ainda resta dos valores sobre os quais foi construído nossa sociedade.

Luis Fernando Veríssimo
É cronista e escritor brasileiro


quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Zen e a Arte de Manutenção de Motocicletas, de Robert M. Pirsig


A viagem pelas estradas a perder a vista dos Estados Unidos da América tornou-se um arquétipo, pelo menos a partir de On the Road, de Jack Kerouac e do filme Easy Rider. Neste romance ela é empreendida por um pai e o seu filho -, pilotos que preferem as estradas secundárias às auto-estradas, completamente expostos ao ambiente -, e transforma-se numa odisséia pessoal e filosófica e num mergulhar até as raízes da arte de viver. Ao introduzir questões filosóficas elaboradas, de uma forma que se torna deveras acessível e apelativa para o leitor comum, Pirsig cria uma filosofia prática, assente no bom senso e na intuição tanto como na racionalidade, baseada num novo valor a que chamou "qualidade". Ambiciona igualmente, por essa via, constituir uma ponte possível entre pensamento ocidental e Oriente. O cuidar atento e empenhado dispensado por este aventureiro das vastas extensões americanas à sua motocicleta é a metáfora para uma tentativa de valorizar a tecnologia no nosso mundo, onde Buda existe tão perfeitamente nos circuitos digitais de um computador como nas pétalas de uma flor. O segredo reside na atitude. Uma obra polêmica que desde a sua primeira edição não deixou de inspirar milhões de pessoas em todo o mundo até hoje. (Orelha de apresentação da edição portuguesa).

É interessante que sabiam que este livro atingiu o recorde do Guinness ao ser recusado por 121 editoras?! Pois é...

Vamos por partes: este livro tem todos os ingredientes para ser o maior mico do meio literário. Só fala de filosofia (SÓ), é muito difícil de ler (é daqueles livros que nos acompanha ou adormecido na mesa de cabeceira durante muito tempo) e é grande. Aposto que as massas olham para este livro de lado.

No entanto, depois de editado, tornou-se um best-seller... Daqueles que ocupam lugares marcantes! Por quê?

Este livro foi uma indicação da estimada amiga Jasete, poeta paranaense de muita qualidade. Aliás, foi um bom conselho e acho que valeu a pena toda a análise. Porque este é daqueles livros para ir lendo aos poucos e estudando, interpretando, nem que seja por meia hora e só dê para duas páginas. Porque é um livro que nos obriga a pensar.

Achei uma boa sugestão e foi uma ótima leitura. Primeiro, porque é diferente: o fato de ser um livro filosófico muda um pouco os meus hábitos de leitura; fala-nos de uma viagem pelos EUA, pai e filho na sua motocicleta (e o que poderia acrescentar beleza a este romance mais do que uma viagem de motocicleta?); as personagens estão muito bem postas, aliás, todo o livro está muito bem posto.

Maravilhosamente, o autor conecta a filosofia com as personagens, o que torna essa busca filosófica uma espécie de thriller. Trata-se de perseguir fantasmas (cuja definição perceberão ao ler o livro), fantasmas que definem a filosofia e a nossa maneira de viver! Em vez de a personagem ir de Paris a Londres, percorre os caminhos da mente e de toda a maneira de pensar, embrenhando-se em conceitos filosóficos que se tornam compreensíveis pelo leitor através das metáforas e comparações utilizadas. Aliás, o próprio título (que à primeira vista pode parecer estranho) é uma metáfora, como explica o resumo do livro.

Tornar a filosofia em algo que se transforme em uma cruzada, uma busca pelo verdadeiro sentido, nos faz pensar e nos libertar. Depois, o autor unifica a estes fatos as personagens, principalmente o narrador e Fedro, revelando uma única personagem de personalidade múltipla. Esta conexão e esta dualidade numa única pessoa tornam o livro interessantíssimo.

O fim... Bem, adorei o fim, porque simboliza tudo, porque é tão fácil perceber qual é a mensagem. E é muito bonito, sem dúvida, embora o preâmbulo do autor, logo nas primeiras páginas, esteja mal posicionado (uma vez que revela grande parte da conclusão e da interpretação do livro!).

Concluindo, gostei e aconselho. Não é um livro fácil de ler, não senhor, mas está muito bem criado e muito, muito interessante. Ensina-nos a descascar uma laranja como se estivéssemos a dirigir uma orquestra!

É daqueles desafios para o leitor que, ao chegar ao fim, sente-se diferente e sente essa viagem que empreendeu. Leiam com muita atenção, agora com as férias poderão dedicar o tempo a este livro, porque eu acho que vale muito a pena!