quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Abdominais, dieta balanceada e corrida formam o trio ideal

Barriga sarada? Aposte na receita mais simples

Mesmo com séries caprichadas, ela nem sempre fica como você sonhou: a barriga tem músculos difíceis de definir e, algumas vezes, a falta de paciência acaba causando a desistência do treino. A má notícia é que não tem jeito: abdominais são, realmente, a melhor forma de formar gominhos e exibir o umbigo. A boa é que não precisa investir em estratégias mirabolantes. Seguindo o básico dedicação com , em quatro semanas já dá para notar músculos mais firmes.

Abdominais
Eles eliminam a flacidez e deixam os fortes, o que resulta na aparência de "tanquinho". Mas não se engane: os exercícios de contração não queimam os pneus, eles agem na definição. Se você precisa perder medidas, o ideal é combiná-los a um treino aeróbio.

"Os abdominais mantêm a musculatura ativa, isto é, em constante trabalho. Por isso, quanto mais seguido fizer abdominais, menor a chance de flacidez", afirma o treinador pessoal e especialista do
Minha Vida, Ivaldo Larentis. Ele lembra que existem diversos estilos de movimentos para garantir uma musculatura uniforme, desde o simples no solo até o oblíquo na prancha declinada (você trabalha a lateral do corpo, definindo a cintura). O segredo é concentrar bastante o esforço, contraindo ao máximo o abdômen e soltando o ar na hora de erguer o tronco.


Alimentação
A alimentação balanceada também é essencial para garantir uma barriga sarada. A nutricionista Andrea Ferrara, da rede de academias Contours, explica que, para conseguir uma completa digestão e não sentir desconforto durante as atividades físicas, uma boa opção é se alimentar no mínimo duas horas antes dos exercícios. Também é preciso evitar alimentos gordurosos e de difícil digestão, como queijos amarelos e carnes gordurosas ou com peles. Fazer refeições a cada três horas e comer duas porções de frutas, legumes e verduras, pelo menos, também ajudam a desenhar a barriga. Isso porque você acumula menos gordura.

Corrida e caminhada
Correr e caminhar não ajudam apenas na perda de peso. Os exercícios também eliminam a gordura localizada, fazendo com que os resultados apareçam mais rápido. "A cintura reflete os treinos de corrida e caminhada, os pneuzinhos somem e só é preciso complementar com abdominais para fortalecer os músculos", afirma o treinador pessoal. Ao correr o ideal é sempre manter o abdômen contraído que, alem de prevenir uma lesão na região lombar fortalece e define ainda mais o abdômen.

Respiração
A respiração é importante em qualquer exercício, mas durante os abdominais elas faz uma diferença ainda maior. Como explica o personal trainer, Ivaldo Larentis. "Inspirar e expirar no momento exato ajuda na contração dos músculos, fazendo com que os exercícios sejam executados com mais precisão". O correto é soltar o ar sempre que estiver fazendo o esforço.


quarta-feira, 26 de agosto de 2009

O papelão de Waldvogel e a desmontagem do factóide Lina


A jornalista Monica Waldvogel reuniu no programa "Entre Aspas", da Globonews, o ex-secretário da Receita Federal (no governo FHC), Everardo Maciel, o presidente do SindiReceita, Paulo Antenor, e um advogado tributarista para discutir a "crise da Receita". Após uma introdução onde denunciou o "aparelhamento" da Receita e apresentou Lina Vieira como "vítima" deste processo, ouviu dos convidados que o aparelhamento foi feito, na verdade, por Lina Vieira. Para jornalista Luis Nassif, comentário inicial de Waldvogel foi "vergonhoso, antijornalístico e desonesto".

O programa foi ao ar nesta terça-feira (25). A apresentadora Monica Waldvogel iniciou o "Entre Aspas" com uma leitura apocalíptica sobre o "aparelhamento da Receita" pelo governo Lula, mostrando Lina Vieira como uma "vítima" de interesses poderosos (Sarney, Petrobras, etc.). Todas as teses da introdução de Waldvogel foram rejeitadas e rebatidas pelos participantes do programa. Ao final do mesmo, constrangida, a jornalista pergunta:

- Mas então houve uma manipulação da opinião pública?

O jornalista Luis Nassif resumiu assim, em seu blog, o papel constrangedor de Waldvogel e a desmontagem do factóide Lina Vieira:

"O comentário inicial lido por Mônica Waldvogel é vergonhoso, antijornalístico, desonesto, porque desmentido ao longo de todo o programa pelos três entrevistados convidados. A Globonews perdeu o rumo."

Os três convidados são unânimes em afirmar que politização ocorreu na fase de Lina Vieira, não agora. Mônica atropela as conclusões da mesa redonda, desrespeita os telespectadores ao antecipar conclusões falsas. Principalmente sabendo-se que a abertura sempre é feita após o programa, com base nas conclusões levantadas.

Paulo Antenor, presidente do SindiReceita, sindicato dos Analistas-Tributários da Receita Federal, denuncia o aparelhamento da Receita… por Lina. Mostra que o pedido de demissão coletiva dos antigos superintendentes foi apenas uma antecipação para demissões que ocorreriam. O advogado tributarista nega crise na Receita. Disse que está mais preocupado com as taxas de juros dos bancos e temas mais relevantes.

Mônica tenta se socorrer do ex-Secretário da Receita Everardo Maciel, da gestão FHC, pedindo que confirme a politização. Everardo diz que a politização ocorreu com Lina e que agora não há ingerência política, porque é atribuição do Ministro definir o Secretário.

Depois disso tudo, Mônica volta ao papo de que Mantega estaria pressionando para não apertar os grandes contribuintes. Os entrevistados negam. Everardo mostra que esse foco nos grandes contribuintes começou em sua gestão. Mônica diz que houve aumento na arrecadação dos grandes contribuintes na gestão Lina. Everardo desmonta com números.

Mônica vem com a história da opção do regime de caixa pela Petrobras foi manipulação. Everardo é incisivo: a Petrobras está certa. O factóide criado foi para justificar a queda da arrecadação na gestão Lina - embora admita que a queda tem muitos outros fatores deflagradores, entre os quais a crise.

Mônica: se fosse tão clara a possibilidade de mudar o regime no meio do ano, não haveria essa controvérsia.

Everardo: a regra é clara e foi feita em 1999 justamente para enfrentar o problema da desvalorização cambial.

Mônica: mas até agora a Receita está para soltar um parecer.

Everardo e os demais: já foi feito, concordando com a Petrobras. Essa prática existe há muito tempo, não existe qualquer ilegalidade ou manobra contábil.

Mônica, balbuciando: a lei foi feita. Houve então uma manipulação da opinião pública?

Todos concordam com a cabeça.

Aí ela deriva a entrevista para o caso Sarney, perguntando se é legítimo pressionar a Receita para abrandar a fiscalização.

O presidente do Sindicato disse que é impossível essa pressão, que nunca essa informação correu na Receita. Disse que sempre trabalhou próximo à chefia da Receita, tanto no governo FHC e Lula, e nunca viu esse procedimento. O chefe da Receita conversa com políticos todos os dias. Mas esse tipo de ingerência é novidade para a gente.

Everardo disse que se ocorreu, o momento certo seria na época em que foi feita. Se não fez, cometeu prevaricação.

Conclusão final dos três entrevistados: Lina foi um desastre para a imagem da Receita e caberá a todos os funcionários trabalharem para o resgate de sua imagem.

O governo dos Estados Unidos começa a semear incertezas na economia sulamericana como forma de intimidar o nosso crescimento


O presidente do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos Estados Unidos), Ben Bernanke, afirmou que as perspectivas de crescimento da economia dos Estados Unidos e do resto do mundo são boas, mas que “desafios importantes ainda persistem”.

Enquanto isso, o governo Norte-americano começa a semear incertezas na economia sulamericana como forma de intimidar o nosso crescimento. Vejam a matéria a seguir:

Os países da América Latina e do Caribe vão experimentar, em 2009, uma queda “sem precedentes” de 13% no volume de exportações e importações, de acordo com o relatório Panorama da Inserção Internacional 2008-2009, da Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe), divulgado nesta terça-feira.

O volume, segundo o documento, é superior aos 10% de queda projetados para o comércio mundial.

“O dado confirma que o comércio foi o setor mais afetado pela crise econômica global na região. O comércio sofre uma contração sem precedentes”, afirmou a secretária-executiva da Cepal, Alicia Bárcena, em uma coletiva em Santiago, no Chile, sede do organismo internacional.

Segundo o documento, o volume das exportações da região cairá 11%, seu pior resultado em 72 anos (desde 1937), enquanto as importações deverão retroceder 14% - o nível mais baixo em 27 anos (desde 1982).

O relatório afirma que a queda no comércio é resultado do “forte declínio da demanda internacional, da queda dos preços de algumas matérias-primas básicas, das dificuldades para o financiamento do comércio e o comportamento pró-cíclico dos fluxos de comércio intrarregional, especialmente na América do Sul”.

"Como consequência da crise, o comércio mundial despencou a uma taxa, inclusive, maior do que a registrada durante a Grande Depressão. De julho de 2008 a maio de 2009, a contração no valor do comércio mundial foi de 37%. Para 2009, em seu conjunto, a previsão é de uma queda no volume do comércio mundial próxima a 10%."

A secretária-executiva da Cepal afirmou em um comunicado, no entanto, que a expectativa é de que o comércio internacional “volte a ser fonte de oportunidades” e que a “região deve se preparar” para isso.

Economia real

No texto, o organismo afirma que a crise mundial foi transmitida para a economia real da região por meio das quedas no investimento estrangeiro direto (IED), nas remessas dos migrantes, nos preços dos produtos básicos e no comércio.

"O choque externo que a região sofreu é de proporções superiores ao provocado pela crise asiática e pela crise da dívida externa. As cifras projetadas para 2009, em comparação com 2008, mostram uma queda entre 35% e 45% nos fluxos de Investimento Estrangeiro Direto (IED), entre 5% e 10% nas remessas, de 29% nos preços internacionais dos produtos básicos exportados pela região e de 25% no valor de suas exportações", diz o relatório.

Serviços e turismo também foram afetados, segundo o organismo. Pelo balanço da Cepal, quase todos os países da região sofreram quedas nos fluxos de comércio com seus principais sócios (Estados Unidos, União Europeia, Ásia e a própria região).

Somente a China, diz o documento, apresentou “demanda sustentada de produtos básicos”, o que serviu para contrabalançar parte desta retração do comércio exterior regional.

Entre as mercadorias mais afetadas pela queda nas vendas externas no primeiro semestre de 2009 estão produtos de mineração e petróleo de toda a região (50,7%). Já os produtos manufaturados e agrícolas caíram 23,9% e 17% respectivamente.

Apesar dos resultados ruins no comércio, a Cepal afirma que a região está conseguindo enfrentar melhor esta crise do que as anteriores.

“A região está enfrentando este choque sem repercussões drásticas na evolução do PIB e do emprego, o que mostra que está melhor preparada como resultado da confluência de um bom ciclo internacional (2003-2007), com as melhorias na gestão da política econômica.”

Recuperação brasileira

Em entrevista à BBC Brasil, a secretária-executiva da Cepal Alicia Bárcena, afirmou que, em sua avaliação, o Brasil pode registrar um desempenho econômico positivo este ano, ao contrário da última previsão da Cepal de que a economia brasileira teria uma retração de 0,8% em 2009.

“A verdade é que o Brasil teve importante recuperação. Produtos importantes para o país tiveram alta nos preços (no mercado internacional), como soja e aço. Além disso, ajudou muito a demanda interna e medidas do governo na área fiscal, como a redução de impostos para aumentar o consumo de automóveis, por exemplo, e por meio do BNDES, com investimentos”, afirmou.

A representante do organismo internacional controlado pelo Departamento de Estado dos EUA) acrescentou ainda: “O Brasil atuou com muita rapidez e (...) gerou empregos neste período de crise”.

Segundo Bárcena, as previsões da Cepal para as economias do Chile e da Argentina também podem ser revistas, já que o preço da soja voltou a subir - o que é “fundamental” para a Argentina - e a China voltou a comprar cobre, o que é “decisivo” para a economia chilena.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Sem terra é executado com tiro nas costas pela polícia gaúcha


PORTO ALEGRE - O sem terra Elton Brum da Silva foi morto na manhã desta sexta-feira (21) em São Gabriel, no Rio Grande do Sul, com um tiro pelas costas, desferido por uma espingarda calibre 12 durante desocupação, pela Brigada Militar (a Polícia Militar gaúcha), da Fazenda Southall. O assassinato ocorreu por volta das 8 horas da manhã. Elton deu entrada no hospital quase duas horas depois. O MST, em nota oficial, lamentou com pesar o ocorrido e responsabilizou o governo Yeda Crusius (PSDB), o Ministério Público do RS e a Justiça. Não é a primeira vez que a Brigada Militar usa de truculência durante reintegrações de posse, aliás, a violência contra os movimentos sociais instaurada desde o início do Governo Yeda denota opção clara por tratar as questões sociais, como a Reforma Agrária, como caso de polícia.

“Eu não tava próximo tão próximo no momento dos tiros porque a gente se dividiu em dois grupos. Quando Elton foi atingido, ele estava na frente da trincheira e a cavalaria da Brigada entrou por trás, eram cerca de 80 deles, com espadas. A ação foi muito violenta, tem companheiro nosso com a perna cortada por espada. Quando eu ouvi os disparos, a gente tentou ver o que tinha acontecido, mas foi formado um cordão ao redor pelo batalhão. Nós não podíamos nem abrir os olhos, todos no chão, e eles continuavam batendo. Isso durou uns vinte minutos. Bombas de gás foram jogadas nas crianças, que estavam em grupo que tentávamos proteger. Depois que tudo acalmou, deixaram que nós entrássemos de 10 em 10 pessoas para recolher colchões e coisas do gênero. Foi aí que vimos que, onde aconteceram os tiros, havia uma lona preta, com muito sangue embaixo”.

O relato é de Rodrigo Escobar, militante do MST, que esteve na ação em São Gabriel. Na conversa por telefone com Carta Maior, Escobar contou que muitas crianças foram levadas ao hospital e que os números de feridos divulgados pela imprensa durante o dia não são nem uma pequena amostra do que aconteceu na Fazenda Southall. Além disso, relatou que o comando da ação movida pela Brigada era confuso, e que nem os próprios oficiais presentes se entendiam. “Enquanto uns mandavam ir pra cima, outros diziam para recuar”, disse. Quase duas horas depois, Brum chegou sem vida ao Hospital Santa Casa de Caridade, por volta das 9h40min da manhã. Uma mulher e uma criança também ficaram feridas no confronto, provavelmente com estilhaços do disparo que atingiu o militante.

Nas primeiras horas da manhã, as informações repassadas à imprensa pela Brigada Militar atribuíam a morte de Brum a um mal súbito. O assassinato só foi confirmado na metade da manhã. O ex-ouvidor agrário do Governo Yeda e também ex-ouvidor da Segurança Pública, Adão Paiani, disse que o sem-terra Brum foi morto pela Brigada Militar. Paiani relatou que foi procurado, na condição de ex-ouvidor da segurança pública, por um oficial da BM que assistiu à desocupação da fazenda. Esse oficial teria relatado que o manifestante foi morto durante discussão com um oficial da BM que atua na região da Fronteira. Brum teria dito alguns palavrões para o oficial, que revidou com um tiro de espingarda. O próprio oficial e alguns soldados teriam providenciado a remoção de Brum, ainda vivo, para o hospital de São Gabriel, numa viatura da BM. Ele não portava arma de fogo.

"Extremamente profissional"
Lisiane Vilagrande, promotora de São Gabriel, acompanhou a ação da Brigada durante a desocupação desde as 5h da manhã desta sexta-feira. Segundo ela, a ação “foi extremamente profissional. Em momento nenhum eu senti alguma tensão ou nervosismo por parte dos policias militares que executavam a ação. Foi tudo muito rápido”. No entanto, a promotora não soube precisar a que distância acompanhou a ação. “Fiquei a uma distância razoável, em um ponto mais alto. Nós tínhamos uma visão, mas relativamente limitada. E, além disso, acho que para minha própria segurança, o coronel me manteve a uma distância adequada. Eu estava mais próxima do que a imprensa, mas eu estava bem distante do acampamento em si”. A promotora apenas admitiu ter escutado tiros, e também testemunhou o uso de bombas de efeito moral, de som e de gás lacrimogêneo.

O ouvidor agrário do Ministério Desenvolvimento Agrário (MDA), Gercino Silva, saiu de Brasília no início da tarde rumo ao Rio Grande do Sul. Gercino esteve diversas vezes no Rio Grande do Sul, inclusive na época em que era discutida a desapropriação da Fazenda Southall. A avaliação dele ainda é aguardada. Para o presidente da Comissão de Cidadania e Direitos Humanos (CCDH), da Assembléia Legislativa do RS, deputado Dionilso Marcon (PT) “é de conhecimento público a truculência usada pela Brigada Militar nas ações de despejo. Mesmo assim, os poderes públicos optam por tratar as questões sociais, como a reforma agrária, como caso de polícia. Dias atrás a Brigada Militar já usou métodos de tortura física para inibir manifestações dos trabalhadores rurais no município de São Gabriel”.

No final da tarde, o MST divulgou duas fotos do corpo de Elton Brum com perfurações nas costas, comprovando que foi baleado por trás, com uma espingarda calibre 12.

MST responsabiliza Yeda, MP e Judiciário pela morte de sem terra

Em nota oficial, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra denuncia a truculência polícia e responsabiliza o governo Yeda Crusius (PSDB), o Ministério Público Estadual e o Poder Judiciário pelos acontecimentos de São Gabriel, que resultaram na morte de Elton Brum com um tiro de espingarda calibre 12 pelas costas. "Denunciamos a Governadora Yeda Crusius, hierarquicamente comandante da Brigada Militar, responsável por uma política de criminalização dos movimentos sociais e de violência contra os trabalhadores urbanos e rurais".

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) divulgou nota pública sobre o assassinato de Elton Brum pela Brigada Militar do Rio Grande do Sul: A nota denuncia a truculência polícia e responsabiliza o governo Yeda Crusius (PSDB), o Ministério Público Estadual e o Poder Judiciário pelos acontecimentos de São Gabriel:

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra vem a público, manifestar novamente seu pesar pela perda do companheiro Elton Brum, manifestar sua solidariedade à família e para:

1. Denunciar mais uma ação truculenta e violenta da Brigada Militar do Rio Grande do Sul que resultou no assassinato do agricultor Elton Brum, 44 anos, pai de dois filhos, natural de Canguçu, durante o despejo da ocupação da Fazenda Southall em São Gabriel. As informações sobre o despejo apontam que Brum foi assassinado quando a situação já encontrava-se controlada e sem resistência. Há indícios de que tenha sido assassinado pelas costas.

2. Denunciar que além da morte do trabalhador sem terra, a ação resultou ainda em dezenas de feridos, incluindo mulheres e crianças, com ferimentos de estilhaços, espadas e mordidas de cães.

3. Denunciamos a Governadora Yeda Crusius, hierarquicamente comandante da Brigada Militar, responsável por uma política de criminalização dos movimentos sociais e de violência contra os trabalhadores urbanos e rurais. O uso de armas de fogo no tratamento dos movimentos sociais revela que a violência é parte da política deste Estado. A criminalização não é uma exceção, mas regra e necessidade de um governo impopular e a serviço de interesses obscuros, para manter-se no poder pela força.

4. Denunciamos o Coronel Lauro Binsfield, Comandante da Brigada Militar, cujo histórico inclui outras ações de descontrole, truculência e violência contra os trabalhadores, como no 8 de março de 2008, quando repetiu os mesmos métodos contra as mulheres da Via Campesina.

5. Denunciamos o Poder Judiciário que impediu a desapropriação e a emissão de posse da Fazenda Antoniasi, onde Elton Brum seria assentado. Sua vida teria sido poupada se o Poder Judiciário estivesse a serviço da Constituição Federal e não de interesses oligárquicos locais.

6. Denunciamos o Ministério Público Estadual de São Gabriel que se omitiu quando as famílias assentadas exigiam a liberação de recursos já disponíveis para a construção da escola de 350 famílias, que agora perderão o ano letivo, e para a saúde, que já custou a vida de três crianças. O mesmo MPE se omitiu no momento da ação, diante da violência a qual foi testemunha no local. E agora vem público elogiar ação da Brigada Militar como profissional.

7. Relembrar à sociedade brasileira que os movimentos sociais do campo tem denunciado há mais de um ano a política de criminalização do Governo Yeda Crusius à Comissão de Direitos Humanos do Senado, à Secretaria Especial de Direitos Humanos, à Ouvidoria Agrária e à Organização dos Estados Americanos. A omissão das autoridades e o desrespeito da Governadora à qualquer instituição e a democracia resultaram hoje em uma vítima fatal.

8. Reafirmar que seguiremos exigindo o assentamento de todas as famílias acampadas no Rio Grande do Sul e as condições de infra-estrutura para a implantação dos assentamentos de São Gabriel.

Exigimos Justiça e Punição aos Culpados!

Por nossos mortos, nem um minuto de silêncio. Toda uma vida de luta!

Reforma Agrária, por justiça social e soberania popular!

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Moradores de Porto Alegre dizem não a construção na orla do Guaíba

Rio Guaíba

Os habitantes de Porto Alegre decidiram domingo (23), por meio de uma consulta pública, manter a proibição para a construção de edifícios residenciais em um terreno privado às margens do rio Guaíba, um dos símbolos da cidade.

O voto era facultativo, e 22,5 mil habitantes declararam os seus. A população local é de 1,42 milhão de pessoas.

O "não" aos prédios residenciais no local venceu por larga vantagem: 18.212 votos (80,7%) contra 4.362 (19,3%) a favor do projeto.

A área em disputa tem 60 mil metros quadrados (o equivalente a seis campos de futebol) e pertencia ao Estaleiro Só, que faliu em 1995.

Nas mãos da iniciativa privada desde 2005, o uso do terreno virou polêmica no ano passado quando a atual dona, a BM Par, informou que pretendia erguer um complexo de edifícios de escritórios e apartamentos. Só prédios comerciais eram permitidos.

A lei de ocupação no local, que vedava a construção de imóveis residenciais, foi alterada pela Câmara Municipal, mas houve protestos de ambientalistas e ativistas comunitários.

O prefeito José Fogaça (PMDB) decidiu submeter a questão a consulta pública.

Polêmica

No início deste ano, a BM Par anunciou a desistência do projeto, mas o município manteve a consulta para dar resposta definitiva à polêmica.

"Não é uma área com a qual as pessoas tenham indiferença. Tem um valor simbólico. Poderia ser sim, poderia ser não. Isso tem tal importância na cidade que seria arbitrário se um prefeito tomasse uma decisão em nome dessa simbologia", disse Fogaça.

A vantagem do "não" era perceptível durante a votação, e um dos argumentos mais repetidos pelos eleitores foi que a decisão sobre o terreno do antigo estaleiro criaria precedente para a ocupação de outras áreas da orla do Guaíba, que tem 72 km de extensão.

Brasil está perto de novo ciclo de crescimento

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou nesta segunda-feira que o Brasil está "no limiar de um ciclo econômico". Para ele, o pais já retomará o crescimento em 2010 devido às ações empreendidas pelo governo contra os efeitos da crise.

"A crise trouxe poucas repercussões econômicas para o pais. Somos um dos primeiros [países] a sair dela, devido ao ajuste rápido e eficaz e pelo custo menor das ações tomadas", afirmou o ministro em seminário realizado pelo jornal "O Globo", no Rio.

Mantega avaliou que "a qualidade" do crescimento do país entre 2003 e 2008 será um facilitador para que a economia inicie um novo ciclo de expansão no próximo ano.

O ministro voltou a criticar o papel dos bancos privados durante a crise. Para Mantega, o Brasil não sairia da crise "tão rápido" sem a ação dos bancos públicos. Ele lembrou que desde setembro de 2008 os bancos privados aumentaram em 3% a concessão de crédito; já os bancos públicos, segundo o ministro, elevaram em 25%.

"Os bancos privados tiveram uma postura conservadora em relação ao crédito. Os bancos públicos exerceram um papel muito importante, e isso é um exemplo de eficiência do setor público", afirmou.